Por Dr. Eliezer Duarte — Oftalmologista Oculoplástico | CREMERS 34904 | RQE 27504
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Por Dr. Eliezer Duarte — Oftalmologista Oculoplástico | CREMERS 34904 | RQE 27504
10 Ago
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9 min de leitura
Existe uma crença popular muito difundida: quando alguém está mentindo, pisca menos. Seria uma forma de 'controlar' os olhos para não revelar a falsidade. Já outra crença igualmente popular diz o contrário: pessoas apaixonadas piscam mais, porque o coração acelerado se reflete nos olhos. Mas o que a neurociência e a oftalmologia realmente dizem sobre isso?
O Dr. Eliezer Duarte, oftalmologista oculoplástico com CREMERS 34904 | RQE 27504, tem uma perspectiva interessante sobre o piscar que vai muito além do aspecto social e comportamental. O ato de piscar é, antes de tudo, uma função fisiológica essencial para a saúde ocular — e entender sua neurobiologia revela muito sobre como o cérebro humano funciona.
Antes de falar sobre mentira e paixão, é preciso entender o porquê do piscar. O Dr. Eliezer Duarte explica que o piscar cumpre ao menos quatro funções simultaneamente: lubrifica a superfície ocular distribuindo o filme lacrimal; remove partículas e microorganismos da córnea; dá uma micro-pausa ao sistema visual, reduzindo a fadiga; e, segundo pesquisas mais recentes, funciona como um mecanismo de 'reset' atencional do cérebro.
Em condições normais, adultos piscam entre quinze e vinte vezes por minuto. Esse número, no entanto, varia enormemente dependendo do que a pessoa está fazendo e sentindo. Durante a leitura ou o uso de telas, a taxa de piscar cai para menos de cinco vezes por minuto — um fenômeno que o Dr. Eliezer Duarte associa diretamente ao aumento dos casos de olho seco na era digital.
O piscar é controlado pelo núcleo motor do nervo facial (VII par craniano), mas é influenciado por múltiplos sistemas do cérebro, incluindo o sistema dopaminérgico, o sistema noradrenérgico e o sistema límbico — o que explica por que emoções, estados de consciência e até a personalidade afetam a frequência com que piscamos.
A crença de que mentir reduz o piscar tem alguma base fisiológica, mas é muito mais complexa do que sugere o senso comum. Estudos de neuropsicologia indicam que, durante a fabricação ativa de uma mentira, o esforço cognitivo aumenta significativamente. Inventar uma história plausível, manter coerência interna e controlar as próprias expressões são tarefas que demandam recursos cognitivos consideráveis.
Quando o cérebro está sobrecarregado cognitivamente, algumas funções automáticas — como o piscar — podem ser suprimidas temporariamente. Essa supressão não é consciente; é um efeito colateral da redistribuição de recursos cerebrais para tarefas de maior prioridade. Portanto, é possível que, durante o momento de construção da mentira, a taxa de piscar diminua.
No entanto, os pesquisadores observaram algo curioso: logo após uma mentira ser dita, a taxa de piscar frequentemente aumenta acima do normal, como se o cérebro estivesse 'compensando' o déficit anterior. Essa resposta bidirecional torna o piscar um indicador muito menos confiável de mentira do que muitos pensam.
O Dr. Eliezer Duarte ressalta que o piscar, isoladamente, nunca deve ser usado como indicador de honestidade ou desonestidade. O contexto, a personalidade individual, o nível de ansiedade e o estado de saúde ocular da pessoa afetam enormemente a taxa de piscar de formas que nada têm a ver com veracidade.
A relação entre paixão e piscar é igualmente fascinante. A fase inicial do amor romântico — o chamado estágio de apaixonamento — é caracterizada por uma liberação aumentada de dopamina no sistema de recompensa do cérebro. A dopamina é um neurotransmissor que regula, entre outras coisas, a taxa de piscar.
Quando os níveis de dopamina estão elevados, a frequência do piscar aumenta. Isso foi documentado em estudos que compararam a taxa de piscar em situações de alto estado dopaminérgico, como jogos de recompensa, e situações normais. A conclusão é que há uma correlação positiva entre dopamina e piscar.
Portanto, a ideia de que pessoas apaixonadas piscam mais tem uma base neuroquímica real — embora seja uma generalização. A taxa de piscar também aumenta em situações de ansiedade, empolgação e excitação por qualquer razão — não apenas romântica.
Existe também outro fator: quando estamos na presença de alguém que nos atrai, tendemos a estar altamente conscientes e ligados à comunicação não verbal. Essa consciência aumentada do rosto do outro pode, paradoxalmente, nos fazer notar mais o piscar deles — um fenômeno de atenção seletiva que pode criar a impressão de que a pessoa pisca mais.
Para além das implicações sociais e comportamentais, o Dr. Eliezer Duarte monitora o piscar de seus pacientes como um sinal clínico importante. Alterações na taxa, na completude ou na simetria do piscar podem indicar condições que merecem atenção.
O piscar incompleto — quando a pálpebra não fecha totalmente em cada piscada — é uma condição que o Dr. Eliezer Duarte vê com frequência em pacientes que passaram por procedimentos estéticos das pálpebras realizados por profissionais sem especialização adequada, ou em pacientes com paralisia facial parcial. Esse piscar incompleto não distribui o filme lacrimal de forma eficiente, resultando em ressecamento crônico da córnea.
A blefarospasmo — contrações involuntárias das pálpebras que causam piscar excessivo e involuntário — é outra condição que o Dr. Eliezer Duarte trata, frequentemente com aplicação de toxina botulínica nos músculos orbiculares. É uma condição que pode ser incapacitante em casos graves, impedindo que o paciente mantenha os olhos abertos de forma voluntária.
O piscar assimétrico, onde um olho pisca com frequência diferente do outro, pode ser sinal de fraqueza muscular, alteração neurológica ou irritação unilateral da superfície ocular. O Dr. Eliezer Duarte inclui a observação do padrão de piscar como parte de seu exame clínico de rotina.
Bebês recém-nascidos piscam apenas duas vezes por minuto — muito menos do que adultos. Isso provavelmente se deve aos níveis mais baixos de dopamina e ao fato de que o filme lacrimal dos recém-nascidos tem composição diferente, exigindo menos distribuição ativa.
Durante o sono REM — a fase dos sonhos — os olhos fazem movimentos rápidos, mas as pálpebras permanecem fechadas. O músculo orbicular, que fecha o olho, e o músculo levantador da pálpebra superior estão em estados diferentes de tônus durante essa fase, e a fisiopatologia desse fenômeno ainda é objeto de pesquisa.
Existe evidência de que o piscar é sincronizado entre pessoas durante conversas — um fenômeno chamado piscar sincronizado que foi documentado em estudos de comunicação não verbal. As pessoas em uma conversa têm maior probabilidade de piscar ao mesmo tempo, especialmente em momentos de pausa na fala. Esse é um exemplo de como o piscar é muito mais social do que parece.
Piscar menos ao usar celular faz mal aos olhos?
Sim. A redução do piscar durante o uso de telas é uma das principais causas do olho seco digital. O Dr. Eliezer Duarte recomenda a regra 20-20-20: a cada 20 minutos de tela, olhar para um ponto a 20 pés (cerca de 6 metros) por 20 segundos, e piscar conscientemente com frequência.
Por que não consigo não piscar quando alguém ameaça nos olhos?
O reflexo de piscar é um dos reflexos mais primitivos e rápidos do sistema nervoso humano, com latência de apenas 50 a 100 milissegundos. É controlado por circuitos do tronco cerebral que atuam antes da consciência ter tempo de processar a ameaça.
O piscar involuntário no olho (tique) é sinal de alguma doença?
O tique palpebral (mioquimia) é muito comum e geralmente benigno, associado a fadiga, excesso de cafeína, estresse ou deficiência de magnésio. Quando persistente, bilateral ou associado a outros sintomas, o Dr. Eliezer Duarte recomenda avaliação para descartar condições neurológicas.
Pessoas com paralisia facial piscam de forma diferente?
Sim. A paralisia do nervo facial compromete o músculo orbicular, responsável pelo fechamento do olho. Em casos de paralisia facial, o piscar pode ser incompleto ou ausente, criando risco de lesão da superfície ocular. O Dr. Eliezer Duarte trata essas condições com medidas de lubrificação e, quando necessário, procedimentos cirúrgicos para proteger o olho.
Crianças com TDAH piscam de forma diferente?
Estudos indicam que crianças com TDAH têm taxas de piscar diferentes das crianças típicas, provavelmente relacionadas às diferenças nos sistemas dopaminérgicos. Essa área ainda está sendo pesquisada, mas é um exemplo fascinante de como a neurobiologia do piscar vai muito além da função ocular.
Este artigo foi elaborado pelo Dr. Eliezer Duarte (CREMERS 34904 | RQE 27504), oftalmologista especializado em oculoplástica. As informações aqui presentes têm caráter educativo.
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Por Dra. Ana Eliza Bomfim | Dermatologista | CREMERS 36241 | RQE 28787
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