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Por Que Sua Pele Muda Tanto no Inverno — E o Que Fazer Para Evitar Ressecamento, Manchas e Sensibilidade

Por Dra. Ana Eliza Bomfim | Dermatologista | CREMERS 36241 | RQE 28787

 

10 Ago

|

11 min de leitura

Por Que Sua Pele Muda Tanto no Inverno — E o Que Fazer Para Evitar Ressecamento, Manchas e Sensibilidade

Todo inverno é a mesma história: a pele que parecia relativamente controlada durante os meses mais quentes começa a apresentar ressecamento, descamação, vermelhidão, sensibilidade aumentada e, paradoxalmente, manchas que parecem ficar mais visíveis. Para a Dra. Ana Eliza Bomfim o inverno é uma das épocas do ano com maior demanda no consultório — e a maioria dos problemas poderia ser prevenida com ajustes simples na rotina de skincare.

A Dra. Ana Eliza Bomfim explica que a pele não é um órgão estático: ela responde às condições ambientais, às mudanças climáticas, à umidade do ar, à temperatura e à exposição a diferentes fontes de luz e calor. Entender como o inverno afeta a pele é o primeiro passo para protegê-la adequadamente durante essa estação.

O Que Acontece com a Pele no Inverno?

O inverno, especialmente em regiões de clima seco como o Sul do Brasil, traz consigo uma combinação de fatores que são particularmente desafiadores para a saúde da pele. A temperatura mais baixa e a umidade relativa do ar reduzida são os dois principais vilões, mas não os únicos.

Quando a umidade do ar cai, o gradiente de água entre a pele e o ambiente muda: a pele perde água para o ar mais seco por um processo chamado perda de água transepidérmica (TEWL, na sigla em inglês). Em condições normais, a barreira cutânea — formada pelos lipídios intercelulares da camada córnea, como ceramidas, ácidos graxos e colesterol — regula essa perda de forma eficiente. Mas no inverno, quando a pele perde água mais rapidamente e a temperatura reduz a fluidez dos lipídios da barreira, esse mecanismo fica sobrecarregado.

A Dra. Ana Eliza Bomfim acrescenta outro fator frequentemente ignorado: o calor artificial. Aquecedores, lareira, banhos quentes prolongados e ar-condicionado em modo aquecimento são fontes de calor seco que agravam ainda mais a desidratação da pele. Banhos quentes, em particular, são um dos grandes inimigos da pele no inverno, segundo a Dra. Ana Eliza Bomfim — a água quente dissolve os lipídios da barreira cutânea com muito mais eficiência do que a água fria ou morna, comprometendo a integridade dessa barreira protetora.

Ressecamento: Mais do Que Uma Questão Estética

Muitas pessoas tratam o ressecamento da pele no inverno como uma questão puramente estética — a pele fica opaca, descama um pouco, e isso é apenas desconfortável. Mas a Dra. Ana Eliza Bomfim alerta que o ressecamento cutâneo é, na verdade, um sinal de comprometimento da barreira cutânea com consequências que vão muito além da aparência.

Uma barreira cutânea comprometida é uma barreira permeável: ela permite que irritantes externos, alérgenos e microrganismos penetrem mais facilmente na pele, desencadeando processos inflamatórios. Em pessoas com predisposição, isso pode ativar ou exacerbar condições como dermatite atópica (eczema), psoríase e dermatite seborreica. Mesmo em pessoas sem essas condições, a barreira comprometida aumenta a sensibilidade da pele e a reatividade a produtos que antes eram tolerados.

A Dra. Ana Eliza Bomfim vê muitos pacientes que chegam ao consultório no inverno relatando que produtos que usavam sem problemas o ano todo passaram a causar ardência e irritação. Quase sempre, segundo a dermatologista, o problema não é o produto, mas a barreira cutânea fragilizada pelo frio e pelo ressecamento.

Por Que as Manchas Ficam Mais Visíveis no Inverno?

Este é um paradoxo que intriga muitos pacientes da Dra. Ana Eliza Bomfim: no inverno, há menos exposição solar, mas as manchas parecem mais evidentes. A explicação está em dois fenômenos distintos.

Primeiro, a pele ressecada e descamativa do inverno tem textura irregular, o que dificulta a reflexão uniforme da luz e faz com que manchas, marcas e irregularidades de pigmentação fiquem mais aparentes. É como comparar uma superfície polida com uma superfície áspera: na superfície áspera, qualquer imperfeição é mais visível. Segundo, a Dra. Ana Eliza Bomfim explica que muitas pessoas reduzem ou abandonam o protetor solar no inverno, acreditando que o frio e a nebulosidade reduzem a exposição à radiação UV. Esse é um erro grave: a radiação UVA, responsável pelo fotoenvelhecimento e pelo estímulo à produção de melanina, atravessa nuvens e vidros e está presente em intensidade significativa mesmo nos dias de inverno.

O resultado dessa combinação — barreira comprometida sem fotoproteção adequada — é a piora de manchas existentes e o surgimento de novas hiperpigmentações. A Dra. Ana Eliza Bomfim é enfática: o protetor solar é um produto para todas as estações, e sua importância no inverno é frequentemente subestimada.

Como Adaptar o Skincare Para o Inverno: Guia Prático da Dra. Ana Eliza Bomfim

A boa notícia é que, com ajustes estratégicos na rotina de skincare, é possível atravessar o inverno com a pele saudável, hidratada e protegida. A Dra. Ana Eliza Bomfim compartilha as principais mudanças que recomenda aos seus pacientes durante os meses mais frios.

O primeiro ajuste é a hidratação intensificada. No inverno, um hidratante que funciona bem no verão pode não ser suficiente. A Dra. Ana Eliza Bomfim sugere migrar para formulações mais ricas, com maior concentração de oclusivos como manteiga de karité, esqualano ou petrolato (em peles muito secas), que formam uma barreira física na superfície da pele e reduzem a perda de água transepidérmica. Para peles oleosas, mesmo que a textura do hidratante precise continuar leve, a frequência de aplicação pode aumentar.

O segundo ajuste importante, segundo a Dra. Ana Eliza Bomfim, é a incorporação ou intensificação de ativos que fortalecem a barreira cutânea. As ceramidas são os lipídios que compõem naturalmente a barreira cutânea, e sua reposição tópica é uma das estratégias mais eficazes para restaurar uma barreira fragilizada pelo inverno. Outras substâncias como niacinamida, pantenol e ácidos graxos essenciais também têm papel importante nessa restauração.

Terceiro: revisão dos ativos esfoliantes. A Dra. Ana Eliza Bomfim frequentemente orienta seus pacientes a reduzir a frequência de uso de ácidos esfoliantes no inverno, especialmente se a pele estiver apresentando sinais de ressecamento ou sensibilidade aumentada. Isso não significa abandonar os ácidos completamente, mas dar prioridade à restauração da barreira antes da esfoliação.

Quarto: manter o protetor solar sem exceção. Como mencionado anteriormente, a Dra. Ana Eliza Bomfim insiste na fotoproteção diária independente da estação. No inverno, protetores com textura mais rica e nutritiva podem ser uma boa opção — especialmente os que têm cor, que uniformizam o tom e conferem uma aparência mais saudável à pele ressecada.

Condições de Pele que Se Agravam no Inverno

Algumas condições dermatológicas têm exacerbação característica no inverno, e a Dra. Ana Eliza Bomfim alerta para as mais comuns. A dermatite atópica é uma delas: a combinação de ar seco, temperatura baixa e fragilização da barreira cutânea é o cenário perfeito para desencadear crises. Pacientes com diagnóstico de dermatite atópica devem, segundo a Dra. Ana Eliza Bomfim, antecipar o cuidado intensificado com emolientes e seguir rigorosamente as orientações do dermatologista antes mesmo dos primeiros sintomas aparecerem.

A psoríase também tende a piorar no inverno, parcialmente pela redução da exposição à luz solar (que tem efeito imunomodulador benéfico na psoríase) e pela pele mais seca. A queratose pilar — aquelas bolinhas ásperas que aparecem nos braços e nas coxas — é outra condição que se agrava com o frio e o ressecamento, tornando a esfoliação suave e a hidratação intensiva ainda mais importantes.

A dermatite seborreica, curiosamente, também pode se agravar no inverno. A Dra. Ana Eliza Bomfim explica que a mudança na composição do sebo no frio, combinada com ambientes fechados que favorecem o crescimento do fungo Malassezia (responsável pela dermatite seborreica), pode aumentar a descamação e a vermelhidão características dessa condição.

Dicas Complementares: Além do Skincare

A Dra. Ana Eliza Bomfim lembra que a saúde da pele no inverno não depende apenas dos produtos que você aplica externamente. A hidratação interna é igualmente importante: no frio, a sensação de sede diminui, e muitas pessoas bebem menos água do que o necessário. A Dra. Ana Eliza Bomfim recomenda manter a ingestão adequada de água mesmo sem sentir sede, pois a hidratação sistêmica influencia diretamente a hidratação da pele.

A alimentação também tem papel relevante. Alimentos ricos em ômega-3, como peixes, linhaça e nozes, contribuem para a saúde da barreira cutânea. Vitaminas antioxidantes, especialmente a vitamina E e o betacaroteno, protegem a pele dos danos ambientais. A Dra. Ana Eliza Bomfim não prescreve dietas específicas, mas orienta seus pacientes sobre a importância de uma alimentação variada e rica em nutrientes para a saúde da pele.

Por fim, o uso de umidificadores de ar no ambiente doméstico e de trabalho é uma medida complementar que a Dra. Ana Eliza Bomfim sugere, especialmente para pacientes com pele muito seca ou com dermatite atópica. Manter a umidade relativa do ar entre 40% e 60% reduz significativamente a perda de água transepidérmica e o desconforto cutâneo no inverno.

Perguntas e Respostas

1. Posso continuar usando ácidos esfoliantes no inverno?

Sim, mas com mais cuidado, segundo a Dra. Ana Eliza Bomfim. Se a pele está bem hidratada e a barreira está íntegra, os ácidos podem ser mantidos. Se houver sinais de ressecamento, descamação ou sensibilidade aumentada, reduza a frequência e priorize a restauração da barreira com ceramidas e emolientes antes de retomar a esfoliação.

2. Banho quente realmente prejudica a pele?

Sim, de forma significativa, segundo a Dra. Ana Eliza Bomfim. A água quente dissolve os lipídios naturais da barreira cutânea. O ideal é banhos com água morna a fria, de curta duração (cinco a dez minutos), seguidos imediatamente de aplicação de hidratante corporal enquanto a pele ainda está levemente úmida — técnica que a Dra. Ana Eliza Bomfim chama de 'soak and seal' e que otimiza a absorção do hidratante.

3. Devo usar protetor solar mesmo em dias nublados no inverno?

Absolutamente sim, segundo a Dra. Ana Eliza Bomfim. A radiação UVA, responsável pelo fotoenvelhecimento e pela estimulação da produção de melanina, atravessa nuvens e vidros. Em dias completamente nublados, cerca de 80% da radiação UVA ainda chega à superfície terrestre.

4. O que fazer para as lábios rachados no inverno?

Os lábios não têm glândulas sebáceas e são particularmente vulneráveis ao ressecamento. A Dra. Ana Eliza Bomfim recomenda hidratantes labiais com manteiga de karité, vitamina E, lanolina ou esqualano, aplicados frequentemente ao longo do dia. Evitar o hábito de lamber os lábios é fundamental — a saliva evapora rapidamente e deixa os lábios ainda mais secos. Para casos mais graves, pode ser prescrito um emoliente mais oclusivo.

5. Como saber se meu ressecamento no inverno precisa de avaliação médica?

A Dra. Ana Eliza Bomfim orienta buscar avaliação dermatológica quando o ressecamento é intenso e não responde a hidratantes comuns, quando há coceira significativa, quando surgem fissuras (rachaduras na pele) ou quando há vermelhidão e sinais de inflamação associados. Essas podem ser manifestações de dermatite atópica, psoríase ou outras condições que requerem tratamento específico.

 

Este artigo foi escrito pela Dra. Ana Eliza Bomfim, Dermatologista (CREMERS 36241 | RQE 28787). As informações aqui presentes têm caráter educativo e não substituem a consulta médica individualizada.



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