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Qual o Melhor Ácido Para Sua Pele? Guia Completo do Glicólico ao Mandélico

Por Dra. Ana Eliza Bomfim | Dermatologista | CREMERS 36241 | RQE 28787

 

08 Jul

|

13 min de leitura

Qual o Melhor Ácido Para Sua Pele? Guia Completo do Glicólico ao Mandélico

Ácido. A palavra pode parecer assustadora no contexto dos cuidados com a pele, mas os ácidos cosméticos estão entre os ativos mais estudados, mais eficazes e mais versáteis de toda a dermatologia. A Dra. Ana Eliza Bomfim, dermatologista,  explica que o desafio não está em usar ácidos, mas em usar o ácido certo, na concentração certa, da forma certa — e é exatamente isso que este guia completo vai ajudar você a entender.

No consultório da Dra. Ana Eliza Bomfim, os ácidos cosméticos são ativos prescritos com frequência para uma ampla variedade de condições: acne, manchas, melasma, fotoenvelhecimento, textura irregular, poros dilatados, rugas superficiais e muito mais. Mas a popularização dos ácidos nas prateleiras de farmácias e lojas de cosméticos criou uma geração de consumidores que usam esses ativos sem orientação adequada — e frequentemente enfrentam irritações, piora das manchas ou sensibilização desnecessária da pele.

Neste guia, a Dra. Ana Eliza Bomfim vai apresentar os principais ácidos usados em skincare, explicar os mecanismos de ação de cada um, indicar para quais tipos de pele e condições são mais adequados, e orientar sobre como utilizá-los com segurança e eficácia.

Entendendo os Grupos de Ácidos: AHA, BHA e PHA

Antes de falar sobre ácidos específicos, a Dra. Ana Eliza Bomfim explica a classificação básica que ajuda a entender como cada grupo age na pele. Os AHAs (alfa-hidroxiácidos) são ácidos de origem natural — geralmente derivados de frutas, leite ou cana-de-açúcar — que agem principalmente na superfície da pele, promovendo a esfoliação das camadas mais superficiais da epiderme. São hidrossolúveis, o que significa que se dissolvem em água e não penetram profundamente nos poros.

Os BHAs (beta-hidroxiácidos) são lipossolúveis, ou seja, se dissolvem em gordura. Essa característica é fundamental: por serem lipossolúveis, os BHAs conseguem penetrar nas glândulas sebáceas e nos poros obstruídos, dissolvendo o sebo e o material queratinizado que causam cravos e acne. O ácido salicílico é o representante mais famoso desse grupo.

Os PHAs (poli-hidroxiácidos) são ácidos de molécula maior, o que significa que penetram mais lentamente e de forma mais superficial na pele. Por isso, são mais gentis e adequados para peles sensíveis. Proporcionam esfoliação suave com menos risco de irritação. A Dra. Ana Eliza Bomfim frequentemente os indica para pacientes em início de tratamento com ácidos ou com peles muito reativas.

Ácido Glicólico: O Clássico dos AHAs

O ácido glicólico é o AHA mais estudado e com maior respaldo científico. Derivado da cana-de-açúcar, tem a menor molécula entre os AHAs, o que lhe confere a maior capacidade de penetração na pele. A Dra. Ana Eliza Bomfim explica que, por isso, o ácido glicólico é também o mais eficaz e o mais potente do grupo — e também o que exige mais cuidado no uso.

Mecanismo de ação: o ácido glicólico atua quebrando as ligações que mantêm as células mortas da camada córnea unidas, promovendo sua esfoliação e revelando células mais novas e luminosas abaixo. Em concentrações maiores, usadas exclusivamente em ambiente clínico pela Dra. Ana Eliza Bomfim, também estimula a produção de colágeno e elastina na derme, contribuindo para o tratamento do fotoenvelhecimento.

Indicações principais: textura irregular da pele, poros dilatados, manchas superficiais, fotoenvelhecimento leve a moderado, pele opaca e sem viço. O ácido glicólico também é frequentemente usado no tratamento de melasma em combinação com outros ativos clareadores, como observa a Dra. Ana Eliza Bomfim.

Para quem é mais adequado: peles normais a oleosas, peles maduras que precisam de renovação celular mais intensa. Para peles secas ou sensíveis, a Dra. Ana Eliza Bomfim prefere iniciar com concentrações muito baixas (5% ou menos) ou com alternativas mais gentis. Concentrações domiciliares típicas variam de 5% a 10%; acima disso, é procedimento de consultório.

Atenção: o ácido glicólico aumenta a fotossensibilidade da pele. A Dra. Ana Eliza Bomfim é categórica: quem usa ácido glicólico na rotina deve usar protetor solar todos os dias, sem exceção, ou o ácido pode piorar manchas existentes em vez de clareá-las.

Ácido Mandélico: O AHA Para Peles Sensíveis

O ácido mandélico é derivado das amêndoas amargas e tem uma molécula significativamente maior do que o ácido glicólico. Essa diferença de tamanho molecular é o que torna o ácido mandélico muito mais gentil e adequado para peles sensíveis, reativas ou mais escuras — e é por isso que a Dra. Ana Eliza Bomfim o prescreve com frequência para pacientes que precisam de esfoliação química mas não toleram o ácido glicólico.

A penetração mais lenta e superficial do ácido mandélico significa que ele provoca menos irritação, menos vermelhidão e menos descamação do que o glicólico. Para quem está começando a usar ácidos, a Dra. Ana Eliza Bomfim muitas vezes indica o ácido mandélico como ponto de partida, mesmo que o objetivo final seja usar o glicólico — uma vez que a pele se adapta ao mandélico, a transição é mais tranquila.

Indicações principais: acne (o ácido mandélico tem propriedades antibacterianas), manchas pós-inflamatórias (as manchas escuras que ficam após espinhas), melasma em peles fototipos mais altos, textura irregular e opacidade da pele. A Dra. Ana Eliza Bomfim destaca que o ácido mandélico é especialmente útil em peles negras e morenas, nas quais o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória com ácidos mais agressivos é maior.

Para quem é mais adequado: praticamente todos os tipos de pele, com especial indicação para peles sensíveis, reativas, com acne inflamatória e fototipos mais altos. Concentrações domiciliares típicas variam de 5% a 10%.

Ácido Lático: Hidratação e Esfoliação Juntos

O ácido lático é outro AHA popular, derivado do leite. Tem molécula de tamanho intermediário entre o glicólico e o mandélico, e uma característica única que a Dra. Ana Eliza Bomfim valoriza muito: além de esfoliar, o ácido lático tem ação humectante, ou seja, atrai água para a pele. Isso o torna ideal para peles secas ou desidratadas que precisam de renovação celular.

Indicações principais: pele seca com textura irregular, ictiose (pele muito escamosa), pele desidratada com opacidade, fotoenvelhecimento leve. A Dra. Ana Eliza Bomfim também o indica frequentemente em formulações noturnas para pacientes com pele seca que querem melhorar a textura sem usar produtos excessivamente secativos.

Ácido Salicílico: O Especialista em Poros e Acne

O ácido salicílico é o único BHA amplamente utilizado em cosméticos e é o favorito da Dra. Ana Eliza Bomfim para peles oleosas com tendência à acne. Como mencionado anteriormente, sua natureza lipossolúvel permite que ele penetre nos poros e dissolva o sebo e os resíduos que causam cravos e espinhas.

Mecanismo de ação: além da ação esfoliante e de limpeza dos poros, o ácido salicílico tem propriedades anti-inflamatórias e antibacterianas que contribuem para o tratamento da acne inflamatória. A Dra. Ana Eliza Bomfim explica que ele age tanto na prevenção (impedindo a formação de novos comedões) quanto no tratamento das lesões existentes.

Indicações principais: acne comedônica (cravos) e inflamatória, poros dilatados, pele oleosa com irregularidades de textura, seborreia. Concentrações domiciliares típicas variam de 0,5% a 2%. Em concentrações maiores, é usado em peelings no consultório da Dra. Ana Eliza Bomfim.

Para quem é mais adequado: peles oleosas e mistas com tendência à acne. Para peles secas ou sensíveis, a Dra. Ana Eliza Bomfim é mais cautelosa, pois o ácido salicílico pode ser dessecante em concentrações mais altas. Não é recomendado para grávidas sem orientação médica.

Ácido Azelaico: O Multifuncional Subestimado

O ácido azelaico é um dos ativos mais subestimados do skincare, segundo a Dra. Ana Eliza Bomfim. Derivado de cereais como trigo, cevada e centeio, ele não é tecnicamente um AHA ou BHA, mas tem propriedades esfoliantes, antibacterianas, anti-inflamatórias e clareadores que o tornam extremamente versátil.

A Dra. Ana Eliza Bomfim frequentemente prescreve ácido azelaico para pacientes com rosácea (onde tem aprovação regulatória), acne, manchas pós-inflamatórias e melasma. Sua tolerabilidade é excelente mesmo em peles sensíveis, e pode ser usado durante a gravidez — o que o torna uma opção valiosa quando muitos outros ativos são contraindicados.

Ácido Hialurônico: O Ácido Que Não Esfoliia

É importante desmistificar: o ácido hialurônico, apesar do nome, não é um ácido esfoliante. A Dra. Ana Eliza Bomfim esclarece isso com frequência no consultório, pois muitos pacientes confundem. O ácido hialurônico é um humectante — uma substância que atrai e retém água na pele — e não provoca nenhuma esfoliação ou descamação.

Ele é um dos hidratantes mais eficazes e bem tolerados da dermatologia, com capacidade de reter até mil vezes seu peso em água. A Dra. Ana Eliza Bomfim o indica para todos os tipos de pele, mas especialmente para peles secas, maduras ou desidratadas. Pode ser combinado com qualquer outro ácido esfoliante sem problemas — na verdade, a combinação é frequentemente recomendada para contrabalançar o possível efeito dessecante dos ácidos esfoliantes.

Como Combinar Ácidos com Segurança

A combinação de ácidos é um dos temas que a Dra. Ana Eliza Bomfim aborda com mais cuidado no consultório, porque é também onde mais erros são cometidos. A regra geral é: menos é mais. Usar múltiplos ácidos esfoliantes ao mesmo tempo pode causar irritação intensa, comprometimento da barreira cutânea e paradoxalmente piorar as condições que se quer tratar.

Combinações seguras e frequentemente recomendadas pela Dra. Ana Eliza Bomfim incluem ácido salicílico (de manhã, em sabonete ou tônico) com ácido glicólico ou mandélico (à noite, em sérum), pois agem em momentos diferentes do dia e em camadas diferentes da pele. O ácido hialurônico pode ser usado com qualquer esfoliante, sempre como hidratante posterior ou em conjunto para minimizar a irritação.

Combinações que a Dra. Ana Eliza Bomfim desaconselha sem orientação especializada: retinol com ácidos esfoliantes potentes (o risco de irritação é alto), vitamina C com ácidos (pode alterar o pH e comprometer a eficácia de ambos quando mal sequenciados), e múltiplos AHAs simultaneamente.

Perguntas e Respostas

1. Posso usar ácido todos os dias?

Depende do ácido e da concentração, segundo a Dra. Ana Eliza Bomfim. Ácidos em concentrações baixas, como ácido salicílico a 0,5% em sabonete ou ácido lático a 5% em hidratante, geralmente podem ser usados diariamente. Ácidos mais potentes, como glicólico a 8-10%, são melhor tolerados em uso noturno em dias alternados, com progressão gradual.

2. Ácido glicólico clareia manchas?

Sim, mas com paciência e proteção solar rigorosa, segundo a Dra. Ana Eliza Bomfim. O ácido glicólico acelera a renovação celular e pode clarear manchas superficiais ao longo de semanas a meses de uso consistente. Para manchas mais profundas como melasma, geralmente é necessário combiná-lo com outros ativos clareadores e tratamentos profissionais no consultório.

3. Qual ácido é melhor para manchas escuras em pele negra?

A Dra. Ana Eliza Bomfim recomenda com frequência o ácido mandélico e o ácido azelaico para peles mais escuras, pois têm menor risco de causar hiperpigmentação pós-inflamatória em comparação com o ácido glicólico. O ácido kójico também pode ser incluído na estratégia clareadora, sempre com proteção solar intensa.

4. Sinto ardência ao usar o ácido. É normal?

Uma leve sensação de formigamento ou ardência passageira (que desaparece em segundos a poucos minutos) pode ser normal na introdução de ácidos esfoliantes, especialmente o glicólico. Ardência intensa, prolongada, com vermelhidão persistente ou descamação excessiva é sinal de que a concentração está alta demais ou a frequência de uso é inadequada. A Dra. Ana Eliza Bomfim orienta: se a reação for intensa, interrompa o uso e consulte um dermatologista.

5. Posso usar ácidos durante o verão?

Sim, com proteção solar rigorosa, segundo a Dra. Ana Eliza Bomfim. Os ácidos esfoliantes não são contraindicados no verão, mas aumentam a fotossensibilidade da pele. FPS 50 reaplicado ao longo do dia é essencial para quem mantém uma rotina com ácidos durante estações de maior exposição solar.

 

Este artigo foi escrito pela Dra. Ana Eliza Bomfim, Dermatologista (CREMERS 36241 | RQE 28787). As informações aqui presentes têm caráter educativo e não substituem a consulta médica individualizada.



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